Por Edson.
Logo pela manhã nos despedimos de nosso amigo Octávio. Não sei se já escrevi, mas ele está viajando a três meses. Saiu do México para um encontro de Motociclistas no Panamá. Lá ouviu muitas histórias da América do Sul, da Carretera Austral, da Ruta 40, da Terra do fim do mundo e resolveu seguir para cá. Aprendemos muito com seu estilo de vida.
E o Deslocamento de regresso continua.
Agora nosso desafio é fazer os 5000 km de volta em 5 dias.
Acordamos cedo e pegamos a ruta 3 novamente. Depois da Ruta 40, a Ruta 3 é a
mais famosa da Argentina. O principal desafio é o vento.
Na primeira vez que viemos para cá, nos falaram muito do
Pampa del Inferno. Não achamos nada difícil atravessa-lo. Depois falaram do mal
das alturas para subir e descer os 4.800 metros da cordilheira dos Andes o que
também foi fácil para nós.
Desta vez falaram do rípio e do vento. O rípio foi difícil,
mas menos que o esperado. O último desafio era o vento lateral na Ruta 3.
Acreditem. Este vento é Phoda. PQP. É um esforço "medolho" para se manter
na pista. Andamos todo o tempo curvado como fazendo uma curva fechada. Para
complicar tem as rajadas de ventos que nos jogam para o acostamento e os
caminhões carretas que quando cruzam anulam o vento e como estamos curvados,
vamos para a pista contrária.
Conversando com um policial rodoviário daqui ele disse que o
vento sempre existe. O que muda é a intensidade. Pegamos um dia ruim. No final
sobrou apenas um dor no pescoço (para manter a cabeça reta).
Meu GPS saiu do ar em Caleta Oliva. Dois minutos parado foi
o suficiente para ser resgatado por uma pessoa que se ofereceu para nos guiar
até a saída da cidade.
Nei 171.
O ato engraçado foi o Nei que começou a diminuir o ritmo
da tocada. Diminuiu tanto que resolvi parar no acostamento e espera-lo para ver
se estava tudo bem. Ele chegou reclamando de dor no dedo por causa da luva.
Ofereci minha luva reserva, mas ele começou a reclamar da trepidação da moto. Olhei e não vi nada de errado. Aí ele
começou a procurar algo no meio das pedras do acostamento dizendo que era um
"negocinho". Só então percebi que ele estava me enrolando para
descansar. Depois a viagem rendeu novamente e a moto parou de trepidar.
Andamos hoje 1.200 km e paramos para dormir em Trelew,
cidade que nunca tinha ouvido falar. Pegamos até um pequeno carnaval onde
alguns grupos se apresentavam na rua. Uns imitando o carnaval de rua brasileiro
e outros grupos apresentando o que imagino ser danças folclóricas da região. Na
chegada da cidade fomos abordado por uma família num Gol Country (nossa parati)
que se ofereceram para nos levar até o Hotel. Família muito simpática.
Esperando o Nei passar
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